em minutos(?)





Perito em continuar sempre á frente o Tempo segue em sua marcação.

Laborioso em detalhes... calado. Por vezes em falas sarcásticas, indo e vindo, na velocidade do seu desejo e de sua potencialidade.

A trilha velha e gasta esquadrinhada em cada volta, lhe é a bússola destinada á examinar as revoltas das ações. Difícil captar a coerência do Tempo.

Aos preponderantes só se questiona em mutismo. Só recebe respostas intuitivamente.

Redargüir? Sabe do seu lugar o dominado... A taciturnidade  é saída perfeita.

Que povoem mil demônios em sua mente. Por mais convulsivas  que sejam suas idéias, as aborta  quando a  sombra das mãos que marionetam o seu destino lhe avisa:

- Cala-te!

E atendo-se a posse, o pobre infeliz distingui...

Resta o caminho das inquirições do escravo dos Segundos, pois o Tempo se reproduz em aliados de menor porte que atormentam em enfados maiores!

Vaguear, eis o sentido da lei maior que domina aquele sem escapatória, marcando assim em círculos, as voltas que não são viciosas.

Segue. Adianta-se em fervilhantes conjecturas. Rastreia uma das crias do velho Tempo, o Passado. Tenta encontrar forças para se libertar. O Passado impassível ficou lá, já foi! Não está perdido, mas inatingível. Vívido. Aberto a novas apreensões, talvez á reciclagens...

O escravo se sente protegido no meio da bagunça do passado, mas as Horas lhe cobra os Minutos que estão por vir, e o Tempo mostra que Agora está morrendo no vinco dos segundos.

Pobre dominado! Levanta-se. Cobre o rosto com as mãos e implora piedade! Roga que aos Dias, que lhe sejam  deitado mais Horas, pensando que assim, pode acertar os ponteiros do Ontem.

Infantil e inutilmente, esperneia gritando por alguns Minutos a mais, tentando perfazer o dia de Amanhã.

A mão que fala, assombra,analisa,deduz e atemoriza:

-Cala-te!

Sujeito, preso ao seu Senhor, ociosamente seca o pranto e não capta essências.

Sai à boca miúda resmungando que o circulo é vicioso!

O Senhor cabisbaixo se adianta.

 Lufa o caminho do seu pupilo e choroso rumina:

- Tolo, não absorveu nada!

 

2004