
A Nova Geração
A
humanidade vem lentamente se organizando. Os grupos sociais que sempre
foram formados por pessoas mais influentes e não necessariamente mais
inteligentes, culminaram pela supremacia da raça. Aqueles que se sentiam
unidos fortemente por laços de família formaram clãs, assim como tribos.
Já houveram aqueles que unidos pelos ideais formaram nações a parte dos
clãs e tribos. Lutaram entre si para mudar conceitos pré-estabelecidos.
Algumas lutas foram por justiça e a maioria por poder. Mas, mesmo assim
a humanidade caminhou. Conseguiu dentro dos padrões de cada época, ir
arrumando suas leis morais que impunham o padrão das leis civis.
De repente, há dois mil anos atrás veio o rumor de um baderneiro chamado
Jesus que afrontava os costumes e padrões de uma época e de um lugar.
Acabou morrendo segundo os relatos, mas, ao que consta, embora busquem
até hoje vestígios científicos que tal cara existiu, as suas palavras
elevaram o padrão moral e respingaram na geração de leis civis numa
época não distante da nossa. Trezentos anos após sua morte, a
humanidade, pessoas que almejavam apenas o poder, subiram no palco da
vida e usaram as palavras do tal Cristo morto, e não apoiado pelos seus
seguidores, como espada que traiçoeiramente ceifou vidas de amigos e
familiares sem perdoar aqueles que não professasse dos mesmos ideais,
agindo igualmente os romanos.
Sob a capa da sanguinária Tribo Cristã, ergueu-se um muro de sangue e
vergonha. Vidas mutiladas apenas porque não queriam seguir um padrão de
vida imposto pela tal minoria influente, e não necessariamente
inteligente. O tempo furtivamente fez o seu papel e a humanidade, a
pequenos passos, foi se unindo em grupos agora mais partidários e
desafiando a Tribo Cristã. Daí então a tal torre de babel foi aumentando
os seus andares. As leis começaram a serem aperfeiçoadas segundo a
necessidade de cada povo, não deixando logicamente das diretrizes morais
que a religiosidade impunha como molde de sociedade para cada povo.
Enfim, caminhamos... Depois dessa pequena infância da humanidade, a
sociedade já tomava conhecimento que não estava sozinha no mundo. Que
duas guerras extremas envolvendo a maioria dos povos, levaram apenas ao
progresso material, fazendo com que os mesmos crescessem em poder
aquisitivo. Depois da segunda guerra como é sabido, a revolução
industrial tomou rumos inesperados que findou na revolução tecnológica
que hoje nos envolve e nos engole.
E a humanidade caminhando lentamente sobre as questões sociais voltou a
ter clã, tribos... Ciclicamente vivemos um inferno religioso social! O
tal baderneiro, o Cristo, com todo o seu carisma que a ciência não
desvenda, caiu na miséria humana! A sua tribo cresceu é bem verdade.
Parece-me que hoje arrebanha dois milhões de fiéis, mas as suas idéias
não são dadas como verdadeiras e essenciais para o pessoal dessa tribo
enorme!
Se lembro bem, a maior “lei imposta” por esse incômodo do império
Romano, é:
Amai-vos uns aos outros.
Mas ainda caminhamos, cada qual buscando sua tribo, seu alívio moral.
Entre tantas tribos que surgiram, vemos um Clã abrindo seus braços para
a nova etapa de crescimento da humanidade, a Família Arco-íris. Poético?
Não! Acho que o melhor caminho para que a humanidade se conscientize que
nós existimos é nos ver como uma família!
Irmãos e irmãs unidos pelas mesmas causas: respeito e dignidade!
A multicolorida bandeira que tentamos hastear em praça com beijos e
acenos, é à força dos prismas das cores; é a perfeição da natureza
traduzindo beleza e diversidade das coisas dessa própria natureza. É
claro que não lutamos pelo que fazemos na cama, mesmo porque nenhum
hetero saiu às ruas porque gosta de ser sodomizado, e faz disso sua
necessidade básica para sobreviver ao mundo, muito menos vieram a
público pedindo direitos para fazer sexo oral.
Lutamos apenas pela dignidade de sermos o que somos. Seres humanos que
têm suas profissões definidas, gente simples, gente que anseia ainda por
uma definição profissional, gente que vive e, por viver, sofre e se
alegra.
Alguns sofrem porque, ainda nesse clima de leis e questões morais
manipulados por pessoas influentes e não necessariamente inteligentes,
se deixam atingir e acabam caindo na dor da depressão e fobias,
resvalando no divã do analista. E há os que se alegram, porque assumindo
sua homoafetividade, realizam seus sonhos e se sentem integrados à vida.
E a humanidade caminha. Sinto que hoje as leis civis não se encontram
atreladas mais à religiosidade. Ainda existem legisladores tecnocratas
religiosos, mas temos, acima deles, alguns exemplos de justiça advindos
de juizes cônscios do poder que lhe é devido, agindo com a magnanimidade
do seu cargo.Enfim, caminhamos.
Vamos fortalecer a Família Arco-íris baseando sempre no principio do
respeito mútuo e da união. Não vamos deixar que o mofo trazido pela
educação de outras eras nos separe por tribos ou clãs.
Não somos seres à parte e muito menos uma raça. Somos a somatória de
vidas, experiências amargas e doces! Somos sementes de uma nova geração
a qual não podemos decepcionar com novos dogmas e separativismos!
Eu sei que esse negócio de amar o outro é coisa difícil. Mas então vamos
começar por amarmos a nossa pessoa. Vamos descobrir dentro de nós esse
ser maravilhoso que coabita com o nosso personalismo. Vamos deixar que,
feito borboleta saída da crisálida, nosso eu maior bata asas e espalhe
pelo mundo o pólen colorido da união e paz!
2001
