Enquanto ela sentava á minha frente, atrás da mesa, imaginava aquelas pernas sendo cruzadas, tremulando bandeiras impertinentes e impondo-me restrições ao território por ser desfraldado.
Ela tinha uma maneira especial de arquear o corpo cada vez que se levantava como se buscasse no ar, equilíbrio para se por em pé.Todo seu corpo se fazia ouvir em meus sentidos.
Eu queria fartar-me em seu mundo descortinado através daqueles verdes olhos estrategicamente escondidos por óculos, onde só os meus olhares viam possibilidades.
Ficava a imaginar o universo rico e prodigioso que povoava aquela mente.
Eu conseguia captar as belezas de terras recém descobertas. Penetrava em cada recôndito de matas e trechos onde acabavam de nascer, sob a égide e bravura de homens. Mais ao canto de lá, havia um tratado qualquer, por ora, era o de Tordesilhas, por outras, era um trato inglês ou um contrato português, mas me importava tantas assinaturas e falcatruas?
De repente, ela me deixava entrever, a loucura das guerras e o somatório de dores agregadas à fantasia do ser humano em manipular as forças. A mania da raça de querer ser, o PODER!
As imagens que brilhavam de seus conhecimentos, faziam-me entender a necessidade geográfica das divisas, as fronteiras. Discernir sobre o ridículo dos muros e muralhas que transformavam eitos, em quintais.
Quando seus braços se cruzavam na altura da cintura, deixava sobressaído o contorno de seus seios, que não eram fartos,na minha visão: no tamanho,sem medida para meu instinto adormecido e mal explicado que os consumia em flertes desavergonhados.
E quando seu olhar desceu até mim, no exato momento que me perdia em seus seios, sua voz em forma de pergunta martelou em meu cérebro:
- Ângela, qual foi a estratégia usada pelos Holandeses para a invasão na Capitania do Rio Grande do Norte?
No êxtase, vi a esquadra Holandesa tomando o Forte dos Santos Reis. Cheguei ao ápice de antever o sorriso sarcástico de Joris Gastman ao mudar o nome da fortaleza para Castelo de Keulen. Sem falar, na tosca placa indicativa de madeira de lei, onde se lia em letras mal desenhadas o novo nome de Pernambuco: Nova Amsterdã...
Enquanto viajava por toda a invasão holandesa com seus escárnios e vilipendias cometidas, sumia a informação que ela pedia:
- Como eles haviam dominando tão facilmente, a Capitania do Rio Grande do Norte!?
Sob o julgo do olhar de professora Rosa, meus olhos se anuviavam e meu cérebro entorpecia!
Até o ano de 1633 era visível com as a expedição de Jan Corlisz Lichthardt.!!!
- Agora, como eles conseguiram, como?
Nassau se sobressaindo com o seu regimento trazido para ser aplicado aos potiguares.
Mas como? Por Deus, como eles conseguiram nos invadir???
Escutava aparvalhada, os portugueses resmungando e se sujeitando aos imperiosos tratados, para terem seus engenhos de cana funcionando e translado dos produtos.
-Mas qual foi a estratégia?
Minhas pequenas mãos se contorciam uma espremendo a outra. Sem dúvida, meu corpo em surdina sucumbia aos tremores.
-E como eles nos invadiram?
Quando ela descruzou os braços retirando seu óculos, deixando aquelas duas gotas de oceano expostas a minha frente, a luz se fez!
Recobrei os sentidos e a posição de aluna atenta, ávida pelos ensinamentos da mestra:
- Pela orla professora Rosa... Devido a nossa costa marítima ser extensa e sem guardiões,foi fácil dominar a Capitania.
A resposta foi seguida por um suspiro. Ela colocou uma das pernas dos óculos na boca e, como se zombasse de mim, sorrindo tocou o rumo da questão:
- Bom! Isso mesmo. A costa Brasileira...
Suas palavras sumiram...
E o olhar miúdo da menina que vivia a querer morar nos olhos da professora, navegaram... Foram ater-se em alguma invasão mais além. Longe da sua capacidade de entendimento sobre sua sexualidade.
Bons dias onde a história contou a história de sessenta em sessenta minutos, três vezes por semana por toda a minha história...
Bons tempos...