Desci os degraus lentamente. Observei que o cimento estava viscoso...
Ergui meu olhar para o céu e recebi a brisa no rosto.
O perfume que penetrou em minhas narinas, automaticamente fez meu olhar
seguir o seu rastro.
O riso iluminou meu semblante. Lá estava ela!
Estática, com a vida esvoaçando por sobre o meu falso assombro. Fiquei a
observá-la sem me mover.
Quantos anos ela seria mais velha do que eu? Cinco, vinte, quarenta,
oitenta?
Nunca a concebera mais velha ou mais nova, conseguia apenas, divisar
cores que a circundava, matizes de azuis celestiais, verdes matinais,
cinzas de chuva...
Não... Nunca havia notado as marcas do tempo nela.
Restringida ao meu olhar, vaidosa, balançava-se para mim com certeza a
perguntar:
- Porque ela num vem?
Eu estava tão parada quanto ela extasiada com toda a sua exuberância e
beleza.
Tinha eu, a visão da poesia plasmada.
Vi seu riso feito farfalhar de folhas leves que na realidade tocava a
brisa, e não a brisa á ela!
Seu corpo sinuoso ali, imóvel á minha espera com seu ninho de amor, de
beleza, de temperaturas...
Cingi seu tronco. Tombei minha cabeça em seu peito sentindo seu calor e
aquiescência.
Toquei vagarosamente seu dorso tateando curva por curva, sentindo suas
saliências.
Levada pela intensidade de meus impulsos, roçando minhas pernas grudei
naquele corpo como se dele pudesse tirar a seiva para minha própria
vida. Senti nela tudo a pulsar!
Sem compostura alguma, fui trepando naquela impassível beleza, perdendo
meu controle.
Ela me devorava!
Entranhada subjetivamente em seu cerne, me deixei ser engolida... Sentia
que em troca, recebia sensações que jamais eu havia tido!
E ela ria... Percebendo meu antegozo.
Triunfava de antemão sabendo que eu queria era vivenciar segundo a
segundo o tesão infantil, de subir num pé de jabuticaba e colher...
Chupar seus frutos.
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