A noite me acena sorridente e cálida. Meus pensamentos só conseguem girar em torno do tão esperado aconchego com Lara.
Lara, Lara... A conheci numa festa de uma amiga há quatro meses. Na mesma noite as afinidades nos aproximaram.Quando nos despedimos ainda na casa de nossa amiga em comum, ao beijar-me o rosto, senti o calor e o suave perfume que emanava do seu corpo. Segurei suas mãos e perguntei:
- Que tal a gente sair amanhã para jantar?
- E por que não?- Eu ligo para você. Me dá seu telefone?
Entristeci. Sabia que não ligaria, mesmo assim, dei o número.
O dia correu lento. Cada toque do telefone gelava minha alma e me irritava profundamente pois,  a secretária falava de tudo, menos que D. Lara queria falar comigo.
Quando o letreiro digital do relógio desenhava 17:45 num vermelho fosforescente meu suplício teve seu fim!
Tenho certeza que o meu sorriso era sentido do outro lado do fio.
Saímos essa e muitas outras noites. Jantávamos, íamos assistir a filmes, parávamos num barzinho.
Emocionalmente Lara se encontrava arrasada. Seu relacionamento de onze anos com uma arquiteta daqui de Belo Horizonte esvaíra em desculpas. Marcas profundas em forma de mágoas povoavam seu coração. Medos absurdos de se relacionar novamente. Traumas e anseios se misturavam em suas palavras, mas seu olhar a traia. Sentia que me olhava com mais carinho e interesse a cada novo encontro.Eu ardia de paixão e desejos.
Sempre contida e solícita escutava-a e colocava as coisas de uma maneira racional, mostrando-lhe que a vida é essa sucessão de fatos e que estava em nós reverter a situação. Tenho certeza que Lara entendia as entrelinhas... E as minhas mãos nervosas.
Há dois dias atrás, armada de coragem, a convidei para jantar em minha casa.
Não me disse sim nem não, apenas que telefonava para combinar.
Lá se foi uma manhã de espera adolescente. Mas ela ligou "fosforecentemente" ás 14:15, desenhando em mim a felicidade!
E agora eu corro pela Avenida do Contorno com o coração aos saltos numa agonia sem fim. Viro na  Timbiras. A qualquer momento eu expludo! Ainda bem que estou a dois quarteirões de casa!
Embora a chuva esteja caindo como o diabo gosta, o trânsito  está fluindo. Tenho tempo de sobra para ajeitar as coisas.
Salto do carro e apressada abro a porta, lá de dentro vem os latidinhos de Kika minha vira-lata. Com ela pulando em minhas pernas vou coxeando até a cozinha. Na véspera (pelo sim, pelo não) deixei tudo de sobreaviso. Comprei um jantar desses congelados que vem de tudo, é só tirar da geladeira e pôr no micro ondas; (na cozinha sou uma lástima) a salada já estava lavada (hum, alface sei lavar, ah e fritar ovo também, desde que mexidos) e duas garrafas de vinho branco estão tinindo na geladeira. Coloco  comida para Kika. Troco sua água e caio debaixo do chuveiro!
Ponho uma calça jeans com uma camisa folgada.
Sento-me no sofá. Fecho os olhos na intenção de dar uma relaxada.
A campainha soa e o meu coração dispara.
O incenso de rosas e a música suave de Leila Pinheiro invadem a sala.
Abro a porta e os meus braços!
Lara linda em seu vestido rosa com um xale sobre os ombros, se aninha em meus braços dando-me um beijo na minha face. Tento ser natural. Mostro-lhe o sofá. Kika oferecida se joga aos seus pés.
- E então? A Contorno já começou a inundar? - perguntei assuntando.
- Eu vim por dentro, não queria pegar muito trânsito- respondeu enquanto passa a mão na barriga da escrachada Kika!
Vou à cozinha  trazendo o vinho e as taças. Sirvo já falando qualquer asneira sobre o meu dia, o nervosismo me deixa assim: falante! Lara beberica  o vinho. Seu olhar por segundos me parece convidativo.
Pensando no imponderável, troco Leila Pinheiro por música zen!(onde estou com a cabeça, música zen???)...
- Conhece Kitaro?- foi a única besteira que passou pela minha boca nesta hora de aturdimento, pois ela ainda sustenta aquele olhar convidativo.
Ao passar por ela suas mãos seguraram a minha. Cerco seu olhar e  me agachando paro na altura do seu rosto. Beijo sua testa.
Lara abre seus olhos negros e pergunta:
- Tem um lugázinho preuzinha no seu coração?
Levantamos-nos presas pelo olhar.Sua boca entreaberta me instiga.Um leve roçar de lábios nos faz refém de um apaixonado beijo.
Envolvidas neste abraço, conduzo Lara até o quarto que ainda mantém o cheiro de incenso de rosas.
Lara larga a taça de vinho sobre o sofá (acho).
Nossos corpos roçam e nos desmanchamos em gestos de ternuras que aos poucos nos desnudam.
Há magia no  encontro. Uma luz intensa acende nosso olhar, o peito ofegante tornava-se audível em roucos gemidos e frases inacabadas...
O hálito quente nos alimenta a volúpia e naufragas em mares de desejos, no leito rolamos deixando que os lençóis se impregnem do  perfume que exala nossos poros.
Vertendo carícias, nossas mãos ardilosas e lentas, buscam a flor da pele a emoção do toque espargindo prazeres e aconchego.
Seus lábios que os meus procuravam, deixam-se apossar e no afago voraz, meu corpo estreme junto ao seu!
A pele arrepiada seduzindo! O ronronar de gata no cio me enlouquecendo!
Minha boca ávida do seu gosto busca em seus seios o sabor do seu corpo.
Suas mãos passeiam livres sobre minha pele enlouquecendo meus sentidos.
Percorro seu corpo assanhado que se contorce sob o jugo da minha língua! Faminta, bebo entre suas coxas  sua libido roubando gemidos fracos e extenuados.
Lara retesa seus músculos...
Meus cabelos são agarrados e minha boca se funde a de Lara. Ela Treme...
Nesse gesto de comunhão tento desesperadamente roubar sua alma!