Eu a procurava. Insistia em cada viela. Em cada esquina esgueirava o olhar na busca de sua presença efêmera e mágica. A qualquer momento ela apareceria. Tinha que estar sempre atenta.
Uma águia sobrevoando a planície asfáltica.
Os carros que passavam me faziam girar o pescoço. Podia ser que ela estivesse em algum deles.
O ônibus apinhocado de gente deixava-me apressada por tomá-lo.Quem sabe se espremida no meio de tantos, ela estivesse?
Veio assim, da direita ou da esquerda, um perfume doce e delicado.
Voltei à vista para a direção e lá, naquela dobra do tempo, vi seu vulto passar rápido em minha retina.
Minha voz emudeceu.
Minhas mãos gesticularam fixas na alça da bolsa!
Meu riso espantado se perdeu em mais um carro que passava, em mais um girar de calcanhares numa ruptura com o presente.
