
Artigo
16
I. Os
homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça,
nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e
fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao
casamento, sua duração e sua dissolução
II. O
casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento
dos nubentes.
III. A
família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito
à proteção da sociedade e do Estado.
Artigo
17
I. Todo o
homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
II.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo
18
Todo o
homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;
esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a
liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela
prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em
público ou em particular.
Artigo
19
Todo o
homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito
inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de
procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer
meios, independentemente de fronteiras.
Artigo
20
I. Todo o
homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
II.
Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo
21
I. Todo o
homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país
diretamente ou por intermédio de representantes livremente
escolhidos.
II. Todo
o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
III. A
vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade
será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio
universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a
liberdade de voto.
Artigo
22
I. Todo o
homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à
realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e
de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos
econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao
livre desenvolvimento de sua personalidade.
Artigo
23
I. Todo o
homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a
condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o
desemprego.
II. Todo
o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por
igual trabalho.
III. Todo
o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e
satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma
existência compatível com a dignidade humana, e a que se
acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
IV. Todo
o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para
proteção de seus interesses.
Artigo
24
Todo o
homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável
das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Artigo
25
I. Todo o
homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a
sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário,
habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez,
viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em
circunstâncias fora de seu controle.
II. A
maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência
especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio,
gozarão da mesma proteção social.
Artigo
26
I. Todo o
homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos
nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será
obrigatória. A instrução técnica profissional será acessível a
todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
II. A
instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da
personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos
do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a
compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos
raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas
em prol da manutenção da paz.
III. Os
pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que
será ministrada a seus filhos.
Artigo 27
I. Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida
cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do
progresso científico e de fruir de seus benefícios.
II. Todo
o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais
decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística
da qual seja autor.
Artigo 28
Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que
os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam
ser plenamente realizados.
Artigo
29
I. Todo o
homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
II. No
exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito
apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim
de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e
liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral,
da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
III.
Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser
exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações
Unidas.
Artigo
30
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como
o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de
exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à
destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Proclamada em 10 de dezembro de 1948, pela Assembléia Geral
das Nações Unidas (ONU)


CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os
membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o
fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito aos direitos do homem
resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da
Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de
liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do
temor e da necessidade,
CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos
pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como
último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,
CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações
amistosas entre as nações,
CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta,
sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o
progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais
ampla,
CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em
cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e
liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e
liberdades,
CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades
é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse
compromisso,
A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo 1
Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São
dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos
outros com espírito de fraternidade.
Artigo 2
I. Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as
liberdades estabelecidos nesta declaração sem distinção de qualquer
espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política
ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza,
nascimento, ou qualquer outra condição.
II. Não
será também feita nenhuma distinção fundada na condição política,
jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma
pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem
governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de
soberania.
Artigo 3
Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o
tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.
Artigo 5
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.
Artigo 6
Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido
como pessoa perante a lei.
Artigo 7
Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer
distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual
proteção contra qualquer discriminação que viole a presente
Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8
Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais
competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos
fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela
lei.
Artigo 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10
Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública
audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para
decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer
acusação criminal contra ele.
Artigo
11
I. Todo o
homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido
inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo
com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas
todas as garantias necessárias a sua defesa.
II.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no
momento, não constituam delito perante o direito nacional ou
internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela
que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo 12
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua
família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua
honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra
tais interferências ou ataques.
Artigo
13
I. Todo
homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das
fronteiras de cada Estado.
II. Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo
14
I. Todo o
homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar
asilo em outros países.
II. Este
direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente
motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos
objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo
15
I. Todo
homem tem direito a uma nacionalidade.
II. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.