Os perigos do chocolate
Seja escuro ou branco, ao leite ou meio-amargo, em barras, bombons, ovos ou em
formato de pequenos coelhos, é difícil resistir ao sabor do chocolate, principal
guloseima do Domingo de Páscoa. Entretanto, segundo especialistas, é melhor não
ceder à gula e consumir o doce com moderação. A sua ingestão em excesso pode
causar dores de barriga,diarré ia e estimular o surgimento de espinhas. Além
disso, por ser muito calórico e rico emgordura, seu consumo abusivo de forma
habitual pode contribuir para o aumento de peso,sobrecarregar o fígado e, até
mesmo, elevar a taxa de colesterol.
Uma das principa is vítimas do excesso de chocolate são as crianças, que
costumam exagerar na dose de ovos e bombons durante a Páscoa.
- Isso gera uma sobrecarga calórica, que pode causar diarréia. Nesse caso, é
precisoprevenir a desidratação, repondo, por exemplo, com soro caseiro, o
líquido e os saisminerais perdidos - aconselha o pediatra Antônio Flávio
Meirelles, chefe do Departamentode Assistência do Instituto Fernandes Figueira,
da Fiocruz. Para evitar esse efeitoindesejado, ele sugere que os pais fiquem
atentos às guloseimas consumidas pelos filhos.
O excesso de bombons e ovos também pode ser perigoso para a pele. Assim comotodo
alimento gorduroso, o chocolate, quando consumido em quantidades
elevadas,estimula o surgimento de espinhas, principalmente nos indiv íduos mais
sensíveis à acne.- Mesmo quem exagera apenas uma vez pode ser afetado - avisa a
professora denutrição da Universidade Estadual Paulista, Thaís Borges César.
Segundo a professora, indivíduos saudáveis podem comer, no máximo, 30 gramasde
chocolate de uma a duas vezes por semana, dando preferência ao tipo
meio-amargo,considerado o mais saudável. Entretanto, esse é um limite difícil de
respeitar durante aPáscoa, quando ovos e bombons são uma tentação para adultos e
crianças.
Na teoria, o choc olate não poderia ser responsável pelo aumento do colesterol
nosangue. A manteiga de cacau, usada na sua fabricação, possui ácido esteárico,
um tipo degordura que não está relacionada com a elevação do LDL, o colesterol
ruim. Entretanto,para diminuir os custos de produção, muitos fabricantes
adicionam gordura hidrogenada àreceita.
- O problema é que ela é tão perigosa para a saúde quanto a gordura
saturada,encontrada nas carnes. Dependendo da qualidade do produto usado, ele
pode ser ainda maisdanoso - explica Thaís Borges.
Apesar disso, o chocolate não é um vilão. Se consumido com moderação, pode ser
benéfico à saúde, pois contém catequinas, que atua como antioxidante, combatendo
os radicais livres produzidos em situações de estresse. Os radicais livres
contribuem para o envelhecimento e para o desenvolvimento de doenças cardíacas,
como a aterosclerose.
O chocolate também é uma excelente fonte de energia. Uma barra de 100 gramas tem
cerca de 520 quilocalorias, um terço da necessidade calórica diária de uma
mulher sedentária. Ele tem ainda propriedades estimulantes, pois contém cafeína
e teobromina,substâncias também encontradas em outros alimentos. Além de um
sabor que encantou nobres como o imperador asteca Montezuma, conquistadores como
o espanhol Hernan Cortez, e plebeus de todo o mundo.
Exagero pode levar ao vício
É necessário recorrer à bioquímica para entender o comportamento das pessoas
conhecidas como chocólatras. Elas simplesmente não conseguem viver sem o produto
nem
manter hábitos alimentares saudáveis.
O atleta Carlos Kaftrup, 40 anos, controlou a compulsão que teve no passado. Ele
conta que uma vez saiu de casa numa madrugada chuvosa só para comprar chocolate.
- Não conseguia ficar sem comer pelo menos uma barra por dia. Antes de existir
essas barras de energéticos, consumia chocolate como uma fonte de calorias para
fazer esporte - disse Kaftrup, que chegou a trocar refeições inteiras pelo doce.
Algumas substâncias encontradas no chocolate também contribuem para o
comportamento compulsivo. Segundo a nutricionista Mariana Rodrigues, da
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, a presença de cafeína aumenta
os efeitos estimulantes do doce, podendo até viciar.
A universitária Andréa Folly, de 23 anos, confessa que come uma barra de
chocolate todos os dias e não consegue ficar muito tempo sem o doce, mesmo que o
médico peça.
Segundo a nutricionista, o alimento contém substâncias que simulam a ação de um
neuromodulador que estimula os mesmos receptores químicos cerebrais envolvidos
quando há o consumo da maconha.
A nutricionista da Universidade Estadual Paulista, Thaís Borges, garante que a
solução para os chocólatras é simples, mas difícil de ser seguida: comer com
moderação.
Fonte: Jornal do
Brasil



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