Sexo Oral
A
prática do sexo oral entre mulheres é conhecida
por cunnilingus (do latim cunnus = vulva ; e lingere = chupar , lamber ); na
gíria lésbica é referido como “ meia nove ” quando feito simultaneamente, “
inalação ” e “ banho de língua ”. Entre as parceiras, esta é a principal prática
para obter o orgasmo . Como outras técnicas sexuais , o sexo oral é prazeroso se
a pessoa gostar de fazer , de receber ou de fazer e receber .
É fundamental que o sexo oral seja praticado de forma segura , isto é, as
parceira s devem usar preservativos femininos . Doenças sexualmente
transmissíveis, Aids , herpes , hepatite , podem ser transmitidos pelos fluídos
vaginais e secreções da menstruação. É absolutamente recomendado não fazer sexo
oral durante o período menstrual, como medida de sexo seguro .

Há mulheres que têm dificuldade de fazer sexo
oral na parceira , por timidez , por falta de intimidade , por não sentir
atração pela companheira ou por bloqueio social / psicológico de experimentar o
órgão sexual de outra mulher ( por seu gosto , cheiro ou aparência ). Esta
dificuldade é possível de ser superada por meio de carícias preliminares ,
diminuição da tensão , jogos de excitação , crescimento da confiança entre as
parceiras, conhecimento do próprio corpo e do da parceira , conversas sobre o
que gostam e o que não gostam e o porquê , e respeito ao tempo necessário à
parceira relutante .
O sexo oral é uma via privilegiada para obtenção do orgasmo , mas para a maioria
das mulheres não é o começo de tudo , assim como o orgasmo não é o essencial .
Ao contrário , estimular diretamente o clitóris , sem carícias anteriores em
outras partes do corpo , não permite a lubrificação e excitação adequadas que
tornam agradável a manipulação clitoridiana. Sem lubrificação há maior atrito e
o toque pode resultar doloroso ou carente de sensação prazerosa .
Antes de iniciar o sexo oral , geralmente as parceiras exploram as zonas
erógenas mutuamente. Toques e beijos nas coxas , nádegas , virilhas e púbis
aumentam a confiança , a intimidade e o estado de excitação . Percorrer com os
dedos ou com a língua a região do púbis e a parte interna das coxas abre caminho
para beijar sobre os lábios externos e, depois , com a língua , iniciar a
exploração da vulva .
Há mulheres que preferem manter os pêlos pubianos e outras que optam pela
depilação total . Por sua vez , há mulheres que preferem que suas parceiras
mantenham os pêlos e outras que se sentem mais confortáveis no sexo oral se a
parceira os depilar . Não há uma diferença de qualidade no sexo oral pela
presença ou ausência de pêlos , mas é importante um entendimento entre as
parceiras para que ambas tenham uma experiência agradável. A higiene íntima
também não depende da ausência de pêlos . Basta lavar a região com água e sabão
, havendo pêlos ou não .
Grande quantidade de pêlos pubianos pode ocultar os lábios internos e o clitóris
, dificultando o acesso da parceira . Neste caso , pode-se iniciar uma
brincadeira erótica durante o banho , quando a parceira que fará o sexo oral
utiliza uma tesoura sem ponta e corta os pêlos o suficiente para revelar a
região central da vulva . Outras mulheres preferem manter os pêlos , e a
parceira os afasta com dedos e língua para deixar o clitóris e a vagina bem
expostos . Por último , a parceira que receber o sexo oral , poderá ajudar a
companheira, afastando os pêlos com seus próprios dedos .
A melhor posição para o sexo oral é aquela que proporcione conforto às
parceiras. É feito com uma das parceiras deitada ou sentada e a outra em frente
entre suas coxas ; na cama , fazendo simultaneamente, uma por cima e outra por
baixo em direções contrárias; uma parceira em pé e outra postada à sua frente de
joelhos ( conhecida como “21”); uma parceira na chamada posição “de quatro ” e
outra abaixo dela ou atrás ; e outras variações que agradem a ambas.
O sexo oral não se limita à fricção do clitóris . Toque , sucção e beijos por
toda a vulva são muito excitantes para quem faz e para quem recebe. Os lábios
internos e externos devem ser beijados, mordiscados, lambidos e chupados, com
intensidade e ritmo que mais agradem a companheira . O períneo é região a ser
beijada ou lambida. Prática bastante prazerosa é quando a parceira passa a
língua em movimento contínuo desde o períneo até o clitóris , abrangendo toda a
vulva .
A língua também pode penetrar na vagina . A profundidade da penetração dependerá
do tamanho e flexibilidade da língua e do tamanho e forma da vulva . As
parceiras devem buscar a melhor acomodação para tirar maior proveito desta
prática , como colocar uma almofada sob os quadris ou apoiar as pernas sobre os
ombros da parceira com os quadris bem elevados para que a parceira tenha o
acesso facilitado à vagina . Ao colocar a vagina sobre a boca da parceira ,
procurar não apoiar as coxas sobre o rosto dela, pois pode provocar sufocamento
ou lesão facial. Durante a penetração , a língua faz movimentos rijos de
vai-e-vem e circulares no interior da vagina , em ritmos alternados de lento a
rápido . Enquanto a língua penetra a vagina , é possível que os lábios
friccionem o clitóris , dependendo da constituição física das parceiras. Se isto
não for possível , usar um dedo para estimular o clitóris, enquanto faz a
penetração .
Na parte superior da vulva , onde se unem os lábios internos , localiza-se o
clitóris . Ele pode ser proeminente devido à anatomia da parceira , ou ser
proeminente por existir um estado de excitação , ou manter-se recolhido entre os
lábios internos . Ao explorar a vulva , a parceira encontra o clitóris ao
deslizar a língua em direção à junção dos lábios internos e sentir uma
protuberância lisa e arredondada. O clitóris pode ter vários tamanhos quando em
repouso , como de um pequeno grão , 0,5 a 1 cm ou mais . Quando excitado, há
maior irrigação sangüínea e seu tamanho aumenta .
A língua da parceira faz movimentos no clitóris , no início lentos e suaves ,
para cima e para baixo , para a direita e para a esquerda , em círculos , de
modo constante e vai variando a pressão conforme a reação da companheira . De
acordo com a preferência da parceira , o clitóris pode ser sugado ou lambido, ou
haver uma combinação de sugar e lamber . A reação da parceira que tem seu
clitóris excitado permite que a outra saiba se está tocando o local corretamente
e se os movimentos e pressão da língua estão satisfatórios . Se a parceira tiver
dúvidas de estar proporcionando prazer à companheira pode perguntar a ela ,
cuidando para manter as carícias a fim de não esfriar o clima .
Além da língua , os lábios são excelentes estimulantes do clitóris , tanto para
sugá-lo como para prendê-lo e permitir que a ponta da língua o acaricie. Iniciar
um movimento vibratório com os lábios sobre a vagina e lentamente subir em
direção ao clitóris . Se utilizar a língua ou os lábios , sempre cuidar para que
os dentes não firam a vulva da parceira .
Cada casal descobrirá quais as técnicas que melhor o satisfaz. É importante
experimentar e inventar as variações do sexo oral , mas atentar que passar
rapidamente de uma técnica a outra , pode interromper o ciclo de orgasmo da
parceira . A percepção das reações entre as parceiras é o melhor meio de saber
se estão seguindo pelo caminho mais prazeroso para ambas. Saber o que uma
parceira deseja sexualmente leva algum tempo e o exercício das técnicas pode
levar bons minutos até o gozo.
Várias são as formas de fazer o sexo oral e várias são as formas de reação da
parceira . É possível que a parceira desfrute o momento em silêncio e quietude ,
ou com gemidos , palavras , contrações musculares, suores , movimentos de braços
, mãos e pernas , carícias nos cabelos e ombros da parceira , etc. Sinais
indicativos de que a parceira está chegando ao orgasmo durante o sexo oral são ,
em geral : respiração rítmica e acelerada, sussurros e gemidos , contração da
pélvis, mãos apertadas, crescimento do clitóris e lubrificação vaginal. Estes
sinais orientam a parceira que faz o sexo oral a persistir na técnica que
estiver empregando, pois colocou a parceira a um passo do orgasmo .
Nem todas as mulheres chegam ao orgasmo apenas com técnicas de estimulação.
Algumas necessitam que a estimulação seja feita de modo rápido , crescente e com
firmeza ; outras preferem suavidade e um ritmo moderado. Poderão, assim , chegar
ao orgasmo em menor ou em maior tempo . É comum que naquelas mulheres que
preferem uma estimulação lenta , sintam a necessidade de ter o ritmo acelerado
quando se aproxima a hora do gozo . Já nas mulheres que preferem a estimulação
mais vigorosa , podem perder a sensibilidade no clitóris em poucos segundos .
Por isso , é muito importante que as parceiras conversem sobre o ritmo , a força
e profundidade da estimulação para que nenhuma fique frustrada.
Em um primeiro encontro , é normal a expectativa das parceiras quanto a fazer
bem o sexo oral e fazer gozar a companheira . Ambas desconhecem as preferências
uma da outra e o tempo que necessitam para o orgasmo . Talvez não haja orgasmo .
O importante é o encontro , a troca , o carinho , o conhecimento e o grande
prazer que se proporcionaram. Também nas relações entre mulheres há a
supervalorização do orgasmo , como se, sem ele , não houvesse relacionamento
sexual . Nos casais unidos há vários anos também há variações no desenvolvimento
e desfecho do ato sexual . Os orgasmos podem alternar em rápidos , lentos ou não
acontecerem. É natural que aquela que faz o sexo oral e aquela que o recebe nem
sempre mantenham a mesma performance .
A estimulação oral requer empenho por vários minutos . Quando a mulher se cansa
de movimentar a língua , pode alternar para a movimentação dos lábios . Quando a
mandíbula estiver exausta , a parceira pode substituí-la por movimentos com a
cabeça . No caso de cansar os lábios e a língua , a parceira pode fazer uso dos
dedos , não interrompendo a estimulação; isto é feito colocando o dedo na vulva
ao lado da língua , aproveitando para umedecê-lo e iniciar o movimento que a
língua vinha fazendo. A estimulação segue com o dedo enquanto a língua descansa
por um ou dois minutos . Depois é só retornar a língua ao lado do dedo e retirar
este . Caso estas manobras não sejam possíveis , a parceira pode estimular ao
máximo com dedos ou língua e, quando souber que o orgasmo se aproxima, pedir à
companheira que termine ela mesma pela masturbação , enquanto recebe beijos e
carinhos .
A busca por técnicas que prolonguem o orgasmo é outro jogo erótico bem-vindo às
parceiras. Uma destas técnicas é pousar com firmeza os lábios ou a língua ,
cessando os movimentos , sobre o clitóris quando a companheira estiver iniciando
o orgasmo . Esta pressão exercida sobre o clitóris tende a prolongar o orgasmo
e, após ocorrer, e as duas parceiras tiverem disposição , permite reiniciar a
estimulação para o segundo orgasmo . Caso a parceira goste de orgasmos múltiplos
, sua companheira pode descansar alguns minutos entre o reinício das
estimulações para se recuperar . Durante esse tempo ambas dão seguimento às
carícias e beijos para manter a estimulação.
O primeiro orgasmo não é uma obrigação ; o segundo ou terceiro também não . Se
houve o primeiro orgasmo e ambas desejam tentar o segundo , basta seguir a
estimulação oral . A parceira que recebe o sexo oral sentirá se está a caminho
do segundo orgasmo . Na eventualidade deste não ocorrer , chama a companheira
para um abraço , para deitar-se sobre ela e ambas descansarem.
E então chega a hora da parceira que recebeu o cunnilingus fazer o mesmo na que
praticou (se não optaram pelo ¨69¨). Algumas mulheres gostam de receber , mas
não gostam tanto de fazer. Uma conversa ajuda a esclarecer o porquê dessa
preferência e o investimento na intimidade , confiança e brincadeiras eróticas
pode transpor esse bloqueio. Há, no entanto , parceiras que convivem bem dessa
forma . Quando ambas gostam de fazer e receber , o entendimento na cama define
quem fará primeiro . Há mulheres que ficam cansadas se fizerem primeiro sexo
oral na parceira e preferem chegar antes ao orgasmo . Outras, preferem fazer
primeiro o sexo oral na parceira para aumentar a excitação e só depois gostam
que a companheira toque em sua vulva .

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